{"id":35962,"date":"2024-04-02T19:09:16","date_gmt":"2024-04-02T19:09:16","guid":{"rendered":"https:\/\/kyvo.global\/br\/?p=35962"},"modified":"2025-03-18T14:22:05","modified_gmt":"2025-03-18T14:22:05","slug":"a-kyvo-cocriou-o-metodo-brasileiro-de-fazer-inovacao-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kyvo.global\/br\/noticias\/a-kyvo-cocriou-o-metodo-brasileiro-de-fazer-inovacao-2-2","title":{"rendered":"Cidades, cidadania, e colabora\u00e7\u00e3o: o papel do design"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"35962\" class=\"elementor elementor-35962\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2a9a15fd elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2a9a15fd\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-64ed8859\" data-id=\"64ed8859\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1feda4c0 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1feda4c0\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4c0c16b elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"4c0c16b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\"><p class=\"elementor-widget-container\" style=\"padding-left: 120px\"><span style=\"font-size: 16px\"><strong>Caio Vass\u00e3o<\/strong><br \/><\/span><span style=\"font-size: 16px;color: #808080\">Parceiro da Kyvo e fundador da Bootstrap. Arquiteto e urbanista, h\u00e1 mais de 25 anos pesquisa as complexas rela\u00e7\u00f5es entre urbanidade, tecnologia, comunidades e inova\u00e7\u00e3o. Professor e pesquisador coordenador do grupo Cen\u00e1rios Urbanos Futuros (RITe-FAUUSP), al\u00e9m de consultor em projetos de inova\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o organizacional, com abordagem do Metadesign para processos de transforma\u00e7\u00e3o cultural e urbana.<\/span><\/p><\/div><h3><b>O que o design fez pela tecnologia<\/b><\/h3><p>Entre as d\u00e9cadas de 1950 a 1980, a ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, por meio da \u00e1rea especializada chamada \u201cintera\u00e7\u00e3o homem-computador\u201d (IHC), empreendeu numerosos experimentos na cria\u00e7\u00e3o de interfaces entre seres humanos e a tecnologia digital. No entanto, produziu-se resultados bastante question\u00e1veis: tanto eram mal sucedidos em produzir software de f\u00e1cil utiliza\u00e7\u00e3o, como n\u00e3o alcan\u00e7avam o \u201cconsumidor\u201d \u2013 o usu\u00e1rio n\u00e3o especialista em computa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Da d\u00e9cada de 1980 aos anos 2000, acontece o r\u00e1pido desenvolvimento de uma sofisticada e complexa abordagem de design de software e hardware. Inicialmente denominada \u201cusabilidade\u201d, articula-se um conjunto de pr\u00e1ticas de engajamento direto dos usu\u00e1rios no processo de constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es digitais. Essa abordagem foi aplicada em numerosas frentes: aplicativos, sistemas operacionais, websites, interfaces para dispositivos eletr\u00f4nicos variados. Em seguida, com o surgimento da chamada \u201cWeb 2.0\u201d, essa abordagem foi parte fundamental da cria\u00e7\u00e3o das plataformas que usamos at\u00e9 hoje em dia: do Google, Facebook, redes sociais, reposit\u00f3rios de informa\u00e7\u00e3o, como Wikipedia e Yahoo.<\/p><p>Em meados da d\u00e9cada de 2000, a \u201ccomputa\u00e7\u00e3o m\u00f3vel\u201d cria dispositivos port\u00e1teis e relativamente baratos, dotados de GPS e mapas, permitindo novos usos e aplica\u00e7\u00f5es. Imaginava-se que a \u201cinclus\u00e3o digital\u201d viria por meio de computadores desktop. Mas, ela aconteceu por meio dos Smartphones: computadores port\u00e1teis de baixo custo e alta performance, dotado de um vasto ecossistema de aplicativos e servi\u00e7os, criando-se uma nova economia.<\/p><p>Neste momento, torna-se imperativo que todas as organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas passem pela chamada \u201ctransforma\u00e7\u00e3o digital\u201d, a mudan\u00e7a profunda e irrevers\u00edvel de pr\u00e1ticas organizacionais trazida pela automa\u00e7\u00e3o de processos, sistemas de informa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de aplicativos.<\/p><p>As pr\u00e1ticas de design s\u00e3o fundamentais para o sucesso dessa transforma\u00e7\u00e3o, pois viabilizam a cria\u00e7\u00e3o de sistemas informa\u00e7\u00e3o acess\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral. Essas pr\u00e1ticas se organizam em um am\u00e1lgama variado, complexo e rigoroso de pr\u00e1ticas que articulam o design, a antropologia, a psicologia social e a cultura organizacional, sempre envolvendo o usu\u00e1rio final no processo de cocria\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es.<\/p><h3><b>O Design al\u00e9m da Tecnologia<\/b><\/h3><p>Historicamente, o design era dedicado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de artefatos industriais: mobili\u00e1rio, vestu\u00e1rio, ve\u00edculos, publica\u00e7\u00f5es impressas, logomarcas, utens\u00edlios, jogos e brinquedos \u2013 a totalidade dos artefatos industriais que nos cerca \u00e9 produto do design. A partir da revolu\u00e7\u00e3o digital, o design passa a dar conta do crescente n\u00famero de artefatos, solu\u00e7\u00f5es, produtos e servi\u00e7os que surgiam neste contexto.<\/p><p>Surgem vertentes do design dedicados aos aspectos espec\u00edficos da transforma\u00e7\u00e3o digital: Design de Interfaces Digitais, Design de Intera\u00e7\u00e3o, Design de Servi\u00e7o, Design da Informa\u00e7\u00e3o, dentre outras. \u00c0 medida que se revelavam os sucessos dessas abordagens, passou-se a compreender um \u201cjeito de pensar\u201d do design que, gradualmente, transbordava para outros contextos sociais e aplica\u00e7\u00f5es. Esse sucesso promove a populariza\u00e7\u00e3o do chamado \u201cDesign Thinking\u201d: uma cole\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas e ferramentas para o r\u00e1pido, simples e efetivo engajamento do p\u00fablico na cria\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es para empresas, ind\u00fastria, tecnologia e computa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Ao longo dos \u00faltimos 20 anos, o design foi al\u00e9m da tecnologia, e come\u00e7ou a tratar das rela\u00e7\u00f5es sociais e organizacionais como um todo. A evolu\u00e7\u00e3o do Design de Servi\u00e7o ilustra essa transi\u00e7\u00e3o: inicialmente uma metodologia para a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os digitais (plataformas e servi\u00e7os on-line), passa a ser utilizada para a cria\u00e7\u00e3o de qualquer tipo de servi\u00e7o (digital ou n\u00e3o), e depois se expande para considerar todas as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas que consomem ou prov\u00e9m o servi\u00e7o, as compreendendo como \u201cusu\u00e1rios\u201d dotados de necessidades espec\u00edficas que s\u00e3o identificadas e articuladas em uma solu\u00e7\u00e3o integrada e de alto valor agregado.<\/p><p>Em conjunto, essas pr\u00e1ticas de design passam a ser denominadas pelo termo \u201cDesign Centrado no Usu\u00e1rio\u201d, cujo foco \u00e9 a \u201cExperi\u00eancia do Usu\u00e1rio\u201d. A sigla UX, do ingl\u00eas \u201cUser Experience\u201d, come\u00e7a a indicar um modo de pensar em que as necessidades das pessoas s\u00e3o consideradas o aspecto mais importante de qualquer iniciativa. O que h\u00e1 de inovador nesta abordagem \u00e9 que as propostas nascem do diagn\u00f3stico das necessidades reais do usu\u00e1rio, e n\u00e3o de conceitos criados de modo unilateral por especialistas com pouco ou nenhum contato com o p\u00fablico. O caminho tradicional da ind\u00fastria \u2013 que se inicia no empreendimento, e s\u00f3 depois chega ao usu\u00e1rio \u2013 \u00e9 invertido: as iniciativas nascem das necessidades do usu\u00e1rio, e s\u00e3o desenvolvidas para dar forma ao empreendimento. Assim, o design \u00e9 capaz de ancorar iniciativas e propostas na realidade econ\u00f4mica, social e cultural do p\u00fablico-alvo com alto grau de ader\u00eancia e sucesso.<\/p><p>Toda inova\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea deve grande parte de seu sucesso ao conjunto de t\u00e9cnicas e m\u00e9todos do UX. \u00c9 por isso que o design \u00e9, hoje, amplamente reconhecido n\u00e3o apenas como a cria\u00e7\u00e3o de artefatos mas, principalmente, como um produtor de \u201cvalor organizacional\u201d: sua aplica\u00e7\u00e3o permite repensar e criar processos nas empresas, corpora\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es, governo, a cria\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, laborat\u00f3rios e projetos de inova\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento de servi\u00e7os urbanos, circuitos tur\u00edsticos ou servi\u00e7os educacionais, o planejamento estrat\u00e9gico de organiza\u00e7\u00f5es (p\u00fablicas e privadas), a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, a transforma\u00e7\u00e3o das estruturas organizacionais, etc.<\/p><h3><b>Design e pr\u00e1ticas urbanas<\/b><\/h3><p>As consequ\u00eancias do design sobre a vida urbana s\u00e3o m\u00faltiplas: aplicativos e solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o criados para o usufruto da cidade \u2013 servi\u00e7os de mobilidade, compras, turismo, gastronomia, habita\u00e7\u00e3o e hospitalidade, etc. Mas, tamb\u00e9m o contexto urbano \u00e9 transformado pelo uso dessas solu\u00e7\u00f5es: o trabalho remoto tem impacto sobre a mobilidade urbana e os padr\u00f5es territoriais da cidade.<\/p><p>Assim como o design \u00e9 capaz de \u201cdesenhar\u201d a experi\u00eancia do usu\u00e1rio (UX), o urbanismo contempor\u00e2neo come\u00e7a a considerar como o design pode contribuir para \u201cdesenhar\u201d a experi\u00eancia do cidad\u00e3o (CX): a transforma\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es de mobilidade, habita\u00e7\u00e3o, acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos, e da participa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo na cidade.<\/p><p>Parte dessas iniciativas dedicam-se a transformar os pr\u00f3prios m\u00e9todos de urbanismo: no lugar de praticar-se um urbanismo \u201cfeito em gabinete\u201d, proposto e realizado por especialistas entrincheirados em suas certezas profissionais, promove-se abordagens como o \u201cUrbanismo T\u00e1tico\u201d, que engaja o p\u00fablico habitante de uma regi\u00e3o urbana na reconfigura\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a de infraestrutura ou equipamento p\u00fablico; ou o \u201cUrbanismo Colaborativo\u201d, que se baseia tanto no design, como nas pr\u00e1ticas coletivas do or\u00e7amento participativo, das comunidades e mutir\u00f5es, do ativismo social e urbano.<\/p><p>De modo geral, procura-se coordenar as necessidades dos m\u00faltiplos p\u00fablicos envolvidos (stakeholders) na constru\u00e7\u00e3o de uma solu\u00e7\u00e3o de valor reconhecido por estes: os habitantes da cidade, os agentes p\u00fablicos, o poder legislativo, as construtoras, os investidores, o sistema financeiro, etc. \u2013 todos podem ser vistos como \u201cusu\u00e1rios\u201d cuja experi\u00eancia se integra \u00e0 vida urbana.<\/p><p>Esse conjunto de t\u00e9cnicas participativas e colaborativas \u00e9, cada vez mais, reconhecido como um meio de incrementar sensivelmente o sucesso de uma iniciativa urbana ou imobili\u00e1ria. Em contraste com m\u00e9todos tradicionais aplicados em projetos que, mesmo bem intencionados, s\u00e3o mal sucedidos porque ignoram as necessidades dos habitantes do entorno, dos cidad\u00e3os e as particularidades do contexto s\u00f3cio-cultural e econ\u00f4mico espec\u00edfico.<\/p><p>Talvez um exemplo infame desse \u201curbanismo de gabinete\u201d seja a reforma da Pra\u00e7a Roosevelt (S\u00e3o Paulo), na d\u00e9cada de 1970: um projeto desastroso, que isolou o territ\u00f3rio da pra\u00e7a de seu entorno, excluiu a popula\u00e7\u00e3o habitual, criando numerosas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia urbana.<\/p><p>Mesmo com o reconhecimento do valor dos m\u00e9todos colaborativos, a vasta maioria dos projetos de neg\u00f3cios imobili\u00e1rios contempor\u00e2neos continua ignorando as necessidades da popula\u00e7\u00e3o, dedicando-se exclusivamente a gerar retorno ao investimento, mesmo que em detrimento da qualidade de vida na cidade, da sustentabilidade ambiental e da paisagem das cidades. Desastres urbanos e arquitet\u00f4nicos, mesmo que bem sucedidos como formas de investimento e renda.<\/p><p>As pr\u00e1ticas do design poderiam transformar esse cen\u00e1rio, criando-se oportunidades de escutas dos m\u00faltiplos p\u00fablicos, articulando uma vis\u00e3o urbana mais complexa, sofisticada, inclusiva e sustent\u00e1vel.<\/p><h3><b>Design e Metadesign \u2013 participa\u00e7\u00e3o e cidadania\u00a0<\/b><\/h3><p>Mas, no contexto urbano, o design enfrenta muitos desafios, com destaque para:<\/p><p>1 \u2013 Resist\u00eancia Institucional \u2013 A proposta do design \u00e9 por um novo modo de pensar que, mesmo incluindo demandas da empresa, institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou privada, deve prioritariamente atender \u00e0s necessidades dos cidad\u00e3os e usu\u00e1rios. As institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o muito habituadas a impor decis\u00f5es unilaterais, mesmo que isso custe o sucesso da empreitada. Al\u00e9m disso, existe uma cultura de toler\u00e2ncia ao fracasso quando ele \u00e9 causado por essas decis\u00f5es unilaterais \u2013 enquanto as pr\u00e1ticas colaborativas s\u00e3o excessivamente criticadas quando n\u00e3o geram sucessos comerciais ou institucionais imediatos.<\/p><p>2 \u2013 Complexidade do Meio Urbano \u2013 O design, habituado a solu\u00e7\u00f5es especializadas e de escopo restrito, tem dificuldade em compreender a complexidade da cidade em sua totalidade, e oferece m\u00e9todos e ferramentas limitadas ou mesmo ineficazes para construir-se uma vis\u00e3o hol\u00edstica do contexto urbano, dos m\u00faltiplos processos concomitantes e concorrentes que incidem sobre um projeto de interven\u00e7\u00e3o urbana \u2013 mesmo que de escala modesta. Essa dificuldade fragiliza o design frente \u00e0s pr\u00e1ticas arraigadas do urbanismo tradicional.<\/p><p>Ao longo de minhas pesquisas e pr\u00e1tica profissional, desenvolvi uma abordagem avan\u00e7ada de design: o Metadesign. Surgido na Escola de Design de Ulm, na d\u00e9cada de 1960, o Metadesign tem uma longa hist\u00f3ria, que passa pela biologia, teoria do projeto e da arte, ci\u00eancia pol\u00edtica, tecnologia digital, design gerativo e teoria da complexidade. Minha contribui\u00e7\u00e3o foi construir uma vis\u00e3o sint\u00e9tica e rigorosa do Metadesign, capaz de compreender a complexidade dos ecossistemas (naturais, culturais, urbanos ou tecnol\u00f3gicos) e prover solu\u00e7\u00f5es a problemas complexos.<\/p><p>O Metadesign prop\u00f5e lidar com tais desafios da seguinte maneira:<\/p><p>1 \u2013 Provocar transforma\u00e7\u00f5es na cultura organizacional, a tornando mais sens\u00edvel \u00e0s necessidades dos usu\u00e1rios e cidad\u00e3os, dos colaboradores, funcion\u00e1rios e agentes (p\u00fablicos e privados). Isso se d\u00e1 por meio de t\u00e9cnicas de engajamento p\u00fablico e de facilita\u00e7\u00e3o de processos colaborativos.<\/p><p>2 \u2013 Construir uma vis\u00e3o dos processos e projetos urbanos em sua totalidade, para que os empreendedores ou agentes p\u00fablicos sejam capazes de compreender o contexto dos quais fazem parte e propor a\u00e7\u00f5es adequadas a cada momento do projeto em quest\u00e3o. Isso se d\u00e1 por meio da visualiza\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, localizando pontos privilegiados de atua\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Se o design se ocupa das rela\u00e7\u00f5es de micro- e m\u00e9dia escala da experi\u00eancia do cidad\u00e3o, o Metadesign se ocupa dos m\u00faltiplos atores sociais e suas rela\u00e7\u00f5es institucionais, comunit\u00e1rias e empresariais \u2013 as rela\u00e7\u00f5es de macro-escala da cidade. Essa abordagem permite desenvolver e implementar a arquitetura organizacional necess\u00e1ria para que as a\u00e7\u00f5es sejam bem sucedidas.<\/p><p>O Metadesign considera que a cidade \u00e9 um artefato cocriado pela sociedade como um todo, e que a cidadania \u00e9 o pr\u00f3prio exerc\u00edcio dessa cocria\u00e7\u00e3o, que se d\u00e1 em m\u00faltiplos n\u00edveis: desde o or\u00e7amento participativo, engajando o cidad\u00e3o, associa\u00e7\u00f5es e grupos de interesse, at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de alcance nacional, engajando governos, \u00f3rg\u00e3os e ag\u00eancias nacionais e internacionais.<\/p><h3><b>Casos de aplica\u00e7\u00e3o do Design e do Metadesign<\/b><\/h3><p>As abordagens complementares do Design e do Metadesign foram aplicadas a muitos projetos. Dos quais participei e coordenei atividades, apresento alguns destaques a seguir.<\/p><p>A Carta Brasileira das Cidades Inteligentes \u00e9, hoje, o documento de refer\u00eancia para o setor no pa\u00eds, e foi cocriada por um conjunto extenso de especialistas, por meio de um processo colaborativo que envolveu mais de mil pessoas.<\/p><p>Os Objetivos do Desenvolvimento Urbano Sustent\u00e1vel foram constru\u00eddos de modo colaborativo, envolvendo especialistas do setor, assim como representantes do poder p\u00fablico municipal e estadual nas cinco regi\u00f5es do Brasil.<\/p><p>A Estrat\u00e9gia Nacional de Governo Digital foi desenvolvida com o apoio de um processo colaborativo que envolveu representantes do governo municipal, estadual e federal, e contou com o apoio de m\u00faltiplos parceiros institucionais, dentro e fora do governo federal.<\/p><p>O Lellolab, laborat\u00f3rio de inova\u00e7\u00e3o da Lello Condom\u00ednios (maior gestora de condom\u00ednios do pa\u00eds), envolveu um processo colaborativo no estabelecimento de seus objetivos estrat\u00e9gicos, assim como o desenvolvimento de inova\u00e7\u00f5es fundamentais para o futuro da vida em comum nas cidades.<\/p><p>O grupo Inova\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Profissional, do Senac S\u00e3o Paulo, \u00e9 respons\u00e1vel pelo desenvolvimento de pr\u00e1ticas de ensino e aprendizagem que s\u00e3o o estado da arte do setor no Brasil, e coordenam um complexo ecossistema de professores, alunos e unidades operacionais em uma vis\u00e3o arrojada do futuro da educa\u00e7\u00e3o profissional.<\/p><p>Todos esses projetos contaram com o apoio crucial do Metadesign para compreender seus complexos contextos e oportunidades, assim como utilizaram t\u00e9cnicas do Design Centrado no Usu\u00e1rio para desenvolver a\u00e7\u00f5es e produzir entregas de alto valor reconhecido.<\/p><p>O Design e o Metadesign podem ser aplicados para transformar as rela\u00e7\u00f5es entre os atores sociais envolvidos em projetos urbanos nas mais variadas escalas e contextos da constru\u00e7\u00e3o das cidades, sempre com foco na melhoria da qualidade de vida do cidad\u00e3o e em viabilizar a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 no futuro das cidades.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo mundo concorda que as cidades do futuro precisam ser mais centradas nas pessoas e em suas necessidades: a qualidade de vida do cidad\u00e3o deve ser o maior objetivo de todos os projetos urbanos e de cidades inteligentes. No entanto, como se faz isso? 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