{"id":32469,"date":"2021-01-31T21:56:00","date_gmt":"2021-01-31T21:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/kyvo.global\/br\/?p=32469"},"modified":"2021-02-22T21:58:59","modified_gmt":"2021-02-22T21:58:59","slug":"a-criatividade-que-existe-em-cada-um-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kyvo.global\/br\/insights\/a-criatividade-que-existe-em-cada-um-de-nos","title":{"rendered":"A criatividade que existe em cada um de n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Certamente, voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido de algum palestrante inspirador que apenas utilizamos 10% do nosso c\u00e9rebro e, portanto, devemos buscar aumentar o nosso potencial cognitivo! Ou tamb\u00e9m que existem certos per\u00edodos, como o do sono, em que nosso c\u00e9rebro entra em algum estado de descanso, como se ficasse em stand by, para recarregar as energias e voltar a ser plenamente ativo e produtivo\u2026 ou, mais ic\u00f4nico ainda, que existem pessoas que se utilizam mais do c\u00e9rebro esquerdo e outras do c\u00e9rebro direito, sendo que as primeiras seriam mais anal\u00edticas, objetivas e planejadoras, e as outras seriam os artistas, mais desorganizados e criativos!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que todas essas ideias sobre o funcionamento do c\u00e9rebro e cogni\u00e7\u00e3o humana t\u00eam em comum \u00e9 que s\u00e3o absolutamente falsas. \u00c9 o que chamamos de <\/span><b>mitos das neuroci\u00eancias<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e, infelizmente, existem diversos desses conhecimentos superficiais sobre como o ser humano funciona que s\u00e3o espalhados por a\u00ed como senso comum. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a neurocientista <\/span><a href=\"https:\/\/www.ted.com\/talks\/molly_crockett_beware_neuro_bunk?language=pt-br\"><span style=\"font-weight: 400;\">Molly Crockett, em seu TED Talk de 2012,<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> j\u00e1 alertava para o erro da interpreta\u00e7\u00e3o de dados neurocient\u00edficos e, principalmente, para a transforma\u00e7\u00e3o de tudo em &#8220;neuro-algumacoisa&#8221; com suas promessas de influenciar o comportamento humano!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Os avan\u00e7os nas pesquisas cient\u00edficas t\u00eam sido massivos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, suportados por um desenvolvimento tecnol\u00f3gico que realmente t\u00eam nos levado a cruzar diversas fronteiras do conhecimento sobre o ser humano. Contudo, ainda sim, s\u00e3o achados pontuais e, salvo exce\u00e7\u00f5es, tendem a n\u00e3o serem facilmente incorporados como solu\u00e7\u00e3o no mercado e no dia a dia das pessoas.<\/span><\/p>\n<h1><b>O que \u00e9 ser criativo?<\/b><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A criatividade, sobretudo, \u00e9 assunto que muitas pessoas t\u00eam creditado como um elemento m\u00e1gico, quase m\u00edstico. Em diversos workshops, aulas e palestras que j\u00e1 ministrei, \u00e9 comum que poucas m\u00e3os se levantem ao ouvirem a pergunta &#8220;quantos aqui s\u00e3o criativos?&#8221; Isso ocorre porque foi constru\u00edda essa no\u00e7\u00e3o dicot\u00f4mica de que existem algumas pessoas que s\u00e3o definitivamente criativas e outras n\u00e3o. Destaco aqui, portanto, a import\u00e2ncia de refletir sobre o modo como cada um de n\u00f3s se percebe, o modo como cada um encara a si mesmo\u2026 Essa reflex\u00e3o integra uma pr\u00e1tica que a Psicologia chama de cren\u00e7as limitantes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Todo ser humano \u00e9 criativo por natureza.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> A cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente desde a necessidade por escolher o que fazer para o caf\u00e9 da manh\u00e3, o redigir um e-mail, planejar uma rota de bike por lugares mais sombreados e com menos subidas, ou a composi\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as musicais que se tornam \u00edcones de toda uma gera\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo a resolu\u00e7\u00e3o de problemas de neg\u00f3cio, que envolvem tantos elementos e vari\u00e1veis!\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De forma simplista, posso dizer que a criatividade \u00e9 um processo cognitivo relacionado \u00e0 intelig\u00eancia e, portanto, todo indiv\u00edduo que n\u00e3o apresenta comprometimento em suas fun\u00e7\u00f5es cognitivas, estar\u00e1 apto a desenvolver solu\u00e7\u00f5es criativas em contextos diversos, como afirma a doutora em neurobiologia, Elisabete Konkiewitz, em seu artigo \u201cNeurobiologia da intelig\u00eancia, um desafio \u00e0s neuroci\u00eancias\u201d.\u00a0 Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser simplista ao analisar o processo criativo, pois<\/span><b> o ser humano \u00e9 complexo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Por exemplo, tudo pode influenciar nessas habilidades cognitivas: algum aspecto gen\u00e9tico ou do seu neurodesenvolvimento, o acesso socioecon\u00f4mico que aquele indiv\u00edduo teve, os h\u00e1bitos de vida como a qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o, exerc\u00edcios f\u00edsicos e sono, o relacionamento social desenvolvido com familiares e amigos, algum trauma ou evento estressante vivenciado\u2026 tudo isso pode impactar nos resultados criativos!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, \u00e9 importante estudar a criatividade e seus atributos \u00e0 luz dos conhecimentos das neuroci\u00eancias, que podem ser compreendidas como \u201co esfor\u00e7o conjunto de diversas disciplinas em compreender os processos mentais (&#8230;) biogen\u00e9ticos e a intera\u00e7\u00e3o deles com fatores ambientais e culturais&#8221;, segundo Konkiewitz. (Altas habilidades\/superdota\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia e criatividade; Ed. Papirus, 2014).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h1><b>O encontro da criatividade com a neuroci\u00eancia<\/b><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi nesse contexto, da transdisciplinaridade, no cruzamento de conhecimentos da Psicologia \u00e0 Antropologia, da Neurobiologia \u00e0 Computa\u00e7\u00e3o Cognitiva, da Semi\u00f3tica \u00e0 Nutri\u00e7\u00e3o\u2026 que eu me encontrei com a necessidade de me aprofundar mais. Como meu foco sempre foi o processo criativo (e, sobretudo o co-criativo, quando duas ou mais pessoas criam de forma colaborativa), busquei iniciar uma especializa\u00e7\u00e3o e o curso que mais se aproximou desse campo de estudo foi o de Neuroci\u00eancias Aplicadas \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o e Aprendizagem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde o in\u00edcio, eu j\u00e1 sabia que o conhecimento espec\u00edfico relacionado \u00e0 criatividade eu n\u00e3o encontraria nessa p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, mas em artigos cient\u00edficos e interagindo com pesquisadores dentro de institutos e no mercado, portanto, no mesmo momento, iniciei uma busca por repert\u00f3rio sobre o tema. Por\u00e9m, acumular repert\u00f3rio sem estabelecer trocas, debates, di\u00e1logos e construir novos conhecimentos com outras pessoas n\u00e3o serve de nada! Neste momento, decidi iniciar um grupo de estudos independente, para que pud\u00e9ssemos convergir diferentes bagagens e repert\u00f3rios no encontro entre criatividade e as neuroci\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, o Grupo de Estudos em Neuroci\u00eancias &amp; Criatividade \u00e9 composto por cinco integrantes com diferentes forma\u00e7\u00f5es, g\u00eaneros, cores, sotaques, orienta\u00e7\u00f5es sexuais e muuuuita disposi\u00e7\u00e3o para se encontrar semanalmente e construir conhecimentos. \u00c9 um grupo pequeno, pois queremos que as discuss\u00f5es sejam bem produtivas e com alta qualidade, mas muita gente se interessou por receber atualiza\u00e7\u00f5es e <\/span><b>fazer parte da comunidade ao redor do tema<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Se voc\u00ea tamb\u00e9m se interessa, envie um e-mail para <\/span><a href=\"mailto:lessak@kyvo.com.br\"><span style=\"font-weight: 400;\">lessak@kyvo.com.br<\/span><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">com o assunto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Quero ficar por dentro da Criatividade&#8221;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que logo incluo voc\u00ea em nossa comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Lessak \u00e9 especialista em Human-Centered Design e co-fundador da Kyvo, onde atua como Designer Estrat\u00e9gico no Labs, frente de estrutura\u00e7\u00e3o de futuros neg\u00f3cios, parcerias e programas da holding. Hoje, aprofunda seus conhecimentos em Neuroci\u00eancias da Aprendizagem, com foco nos processos cognitivos da criatividade. Tamb\u00e9m est\u00e1 envolvido ativamente na lideran\u00e7a de iniciativas locais de fomento ao ecossistema de inova\u00e7\u00e3o por meio do design (Service Design Network e Global Service Jam).<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certamente, voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido de algum palestrante inspirador que apenas utilizamos 10% do nosso c\u00e9rebro e, portanto, devemos buscar aumentar o nosso potencial cognitivo! 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