{"id":31776,"date":"2019-05-28T02:19:17","date_gmt":"2019-05-28T02:19:17","guid":{"rendered":"https:\/\/kyvo.global\/br\/?p=31776"},"modified":"2019-05-28T02:20:18","modified_gmt":"2019-05-28T02:20:18","slug":"por-que-programas-de-aceleracao-corporativa-nao-funcionam-sem-um-pilar-forte-de-design-de-servico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kyvo.global\/br\/insights\/por-que-programas-de-aceleracao-corporativa-nao-funcionam-sem-um-pilar-forte-de-design-de-servico","title":{"rendered":"Por que programas de acelera\u00e7\u00e3o corporativa n\u00e3o funcionam sem um pilar forte de design de servi\u00e7o? Por Clara Bidorini"},"content":{"rendered":"<p><em>*Por Clara Bidorini<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que a discuss\u00e3o produto\/servi\u00e7o no mercado brasileiro vem influenciando o desenho de estrat\u00e9gias e projetos de inova\u00e7\u00e3o, o que nos leva \u00e0 chamada \u201cera do servi\u00e7o\u201d, na qual o consumidor, o usu\u00e1rio, o cliente, em geral, o ser humano, \u00e9 colocado no centro do planejamento. Como service designer, mal podia esperar que esse entendimento chegasse aos programas de acelera\u00e7\u00e3o. Enfim, chegou.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, o foco principal da maior parte dos programas de acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer o produto das startups ganhar escala. Ou ent\u00e3o, no caso dos programas corporativos, muitas vezes o esfor\u00e7o realizado pelas corpora\u00e7\u00f5es patrocinadoras da acelera\u00e7\u00e3o se concentra mais na busca por novos fornecedores do que na procura de novas tecnologias, oportunidades de neg\u00f3cio ou at\u00e9 no fomento ao ecossistema. Para isso, trabalha-se muito as frentes de produto, potencial de mercado, base de clientes, KPIs, growth. Todas importantes, sem d\u00favida. Mas, a meu ver, ainda falta algo essencial, algo fundamental para o sucesso de qualquer neg\u00f3cio, sobretudo quando o objetivo for levar a inova\u00e7\u00e3o ao mercado: entender e sucessivamente desenhar os pontos de contatos entre os servi\u00e7os fornecidos pelas startups com o ecossistema envolvente. E o caminho para isso \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o do Service Design.<\/p>\n<p>Um bom servi\u00e7o \u00e9 medido pela experi\u00eancia que proporciona e por seu valor agregado. Por esta raz\u00e3o, a vis\u00e3o de quem projeta o servi\u00e7o precisa ser abrangente, mais do que apenas a entrega un\u00edvoca de servidor a um usu\u00e1rio. Paremos para pensar um pouco sobre quantos servi\u00e7os entregam valor aos seus usu\u00e1rios, desconsiderando o contexto envolvente. De que forma eles continuariam existindo em\u00a0<em>v\u00e1cuo<\/em>\u00a0sem o envolvimento com o ambiente que os cont\u00e9m? Qual \u00e9 a troca de valores que eles estabelecem com esses ambientes?<\/p>\n<p>De Von Bertalanffy \u00e0 Maturana, v\u00e1rios te\u00f3ricos t\u00eam defendido ao longo dos \u00faltimos 50 anos a natureza sist\u00eamica de projetos, estrat\u00e9gias, organiza\u00e7\u00f5es. E com isso a necessidade de ter abordagens pr\u00f3prias para o entendimento da sua complexidade. <a href=\"https:\/\/kyvo.global\/br\/insights\/cultura-design-o-que-e-e-por-que-virou-questao-chave-para-empresas\">Hoje, na era do servi\u00e7o, usar o design como abordagem de gest\u00e3o para neg\u00f3cios garante mais que outras abordagens \u00e0 vis\u00e3o sist\u00eamica necess\u00e1ria para gerir a complexidade da entrega de um servi\u00e7o.<\/a><\/p>\n<p>A gest\u00e3o de neg\u00f3cios pelo design n\u00e3o influencia apenas \u00e1reas de consultoria, mas tamb\u00e9m os processos de acelera\u00e7\u00e3o. H\u00e1 exemplos emblem\u00e1ticos no mercado de como o mapeamento das mais variadas jornadas de consumo de bens e servi\u00e7os \u00e9 passo fundamental para chegar ao desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es alternativas que ajudem a regular a complexidade dos problemas em seus mercados e contextos, entregando diferenciais verdadeiramente relevantes para o ecossistema envolvente. Essas s\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es verdadeiramente inovadoras, com vis\u00e3o sist\u00eamica e com a possibilidade de diminuir contextos de escassez, monop\u00f3lio, univocidade etc. Com esse objetivo, aplica-se o Service Design, na sua vertente mais estrat\u00e9gica, para mapeamento de ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o em nossos projetos e processos de acelera\u00e7\u00e3o, tangibilizando o processo por meio de ferramentas e capacitando os clientes para que o conhecimento de criar solu\u00e7\u00f5es inovadoras n\u00e3o fique restrito.<\/p>\n<p>Percorrer a fundo todos os pontos de contato do ecossistema da solu\u00e7\u00e3o em estudo \u00e9 fundamental tanto para startups como para grandes corpora\u00e7\u00f5es. A Ant Financial, bra\u00e7o financeiro do gigante chin\u00eas Alibaba, por exemplo, n\u00e3o deixou de pensar na fatia da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 internet quando se prop\u00f4s ao desafio de acabar com a circula\u00e7\u00e3o de dinheiro (papel moeda) em grandes cidades do pa\u00eds. Parece loucura, e talvez seja, mas eles conseguiram.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/kyvo.global\/br\/insights\/cashless-cities-mais-perto-da-realidade-do-que-se-imagina\">Um dos maiores cases de \u2018cashless cities\u2019 encontrou solu\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo para o vendedor de rua em Xangai<\/a>. Ao buscar utilizar o celular como fonte prim\u00e1ria de pagamentos, a Ant Financial foi buscar no design de servi\u00e7o as respostas de como viabilizar isso. Identificou, entre diversas outras coisas, que o dinheiro doado pelas pessoas em \u00e9pocas festivas era um h\u00e1bito cultural important\u00edssimo na China. A solu\u00e7\u00e3o, neste caso, foi gamificar os aplicativos para replicar toda a simbologia de doar o dinheiro nessas \u00e9pocas e, assim, fazer as pessoas se sentirem confort\u00e1veis de fazer isso via app. No caso do com\u00e9rcio de rua, onde o dinheiro predomina, outro desafio: bancarizar essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas como fazer isso com algu\u00e9m que n\u00e3o tem celular ou que n\u00e3o pretende entrar no mundo dos smartphones? A Ant Financial distribuiu QR Code atrelado \u00e0 uma conta banc\u00e1ria em que os consumidores o escaneiam para fazer os pagamentos. A solu\u00e7\u00e3o deu t\u00e3o certo que at\u00e9 moradores de rua passaram a utilizar o QR Code para adquirir algo. O mapeamento desses atores precisa ser realizado de forma muito s\u00e9ria, n\u00e3o apenas tangibilizando sua exist\u00eancia em mapas de stakeholders, como tamb\u00e9m entendendo todas as rela\u00e7\u00f5es e trocas de valor entre eles e relacionadas com os servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O caso da Ant Financial serve para ilustrar a import\u00e2ncia a ser dada aos stakeholders envolvidos com o servi\u00e7o, partindo-se do princ\u00edpio que cada um tem uma rela\u00e7\u00e3o e uma jornada diferente, pois interage com esse servi\u00e7o de uma forma distinta. Essas jornadas precisam ser sobrepostas entre si e se comunicar. \u00c9 isso que chamamos de blueprint de servi\u00e7o. \u00c9 dele que se entende quais s\u00e3o os pontos doloridos que podem afetar o uso e a compra desse servi\u00e7o.<\/p>\n<p>O processo de Service Design estimula a forma\u00e7\u00e3o e a valida\u00e7\u00e3o de hip\u00f3tese que resolvam esses pontos de dor, evidenciados pelo Blueprint de Servi\u00e7o e conectados com o mapeamento de stakeholders. A valida\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses de neg\u00f3cio se d\u00e1, por sua vez, por uma metodologia chamada de prototipa\u00e7\u00e3o. Neste ponto, \u00e9 que muitas aceleradoras pecam, olhando para o potencial de algo considerado escal\u00e1vel, mais na\u00a0<em>aposta<\/em>\u00a0que possa dar certo, do que no questionamento profundo do neg\u00f3cio, com testes, itera\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00f5es, escuta ativa, pesquisa em campo.<\/p>\n<p>Aceleradoras que trocam servi\u00e7os por equity (participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria de uma empresa ou startup) est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, pois caso a startup acelerada n\u00e3o demonstre o crescimento de um produto\/servi\u00e7o, o risco delas ser\u00e1 muito baixo em compara\u00e7\u00e3o com o da pr\u00f3pria startup ou do investidor. Gra\u00e7as \u00e0 prototipa\u00e7\u00e3o, as abordagens de design diminuem fortemente as chances de falha de um servi\u00e7o, reduzindo o risco da pr\u00f3pria startup e, consequentemente, de seus investidores.<\/p>\n<p>Designers s\u00e3o teimosos na procura por entender quais os verdadeiros problemas que impedem uma empresa de crescer. N\u00e3o existe m\u00e1gica. Existe apenas uma persist\u00eancia em encontrarmos o jeito correto de identificar problemas, construir solu\u00e7\u00f5es coerentes com o ecossistema, desenhar todos os pontos dos servi\u00e7os e testar o que foi cocriado entre startups e corpora\u00e7\u00f5es. Essa \u00e9 a alma do design de servi\u00e7o. Desenhar e construir pontes v\u00e1lidas para empresas e startups conseguirem de fato entregar projetos de valor. Os nossos resultados demonstram que esse \u00e9 o caminho certo.<\/p>\n<p><em>*Clara Bidorini \u00e9 head de corporate venture na Kyvo Design-Driven Innovation, cofounder do Programa_Namoa e participa da Rede de Mulheres atuando em Design e Inova\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Artigo publicado no <a href=\"https:\/\/startupi.com.br\/2019\/05\/por-que-programas-de-aceleracao-corporativa-nao-funcionam-sem-um-pilar-forte-de-design-de-servico\/\">Startupi<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Clara Bidorini N\u00e3o \u00e9 de hoje que a discuss\u00e3o produto\/servi\u00e7o no mercado brasileiro vem influenciando o desenho de estrat\u00e9gias e projetos de inova\u00e7\u00e3o, o que nos leva \u00e0 chamada \u201cera do servi\u00e7o\u201d, na qual o consumidor, o usu\u00e1rio, o cliente, em geral, o ser humano, \u00e9 colocado no centro do planejamento. 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