{"id":31736,"date":"2019-03-10T01:58:38","date_gmt":"2019-03-10T01:58:38","guid":{"rendered":"https:\/\/kyvo.global\/br\/?p=31736"},"modified":"2019-03-10T03:49:54","modified_gmt":"2019-03-10T03:49:54","slug":"mulheres-na-lideranca-change-as-a-mindset-por-clara-bidorini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kyvo.global\/br\/insights\/mulheres-na-lideranca-change-as-a-mindset-por-clara-bidorini","title":{"rendered":"Mulheres na lideran\u00e7a. Change as a mindset &#8211; Por Clara Bidorini"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Clara Bidorini* <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No in\u00edcio de mar\u00e7o, o Google divulgou em seu blog uma breve <\/span><a href=\"https:\/\/www.blog.google\/inside-google\/company-announcements\/ensuring-we-pay-fairly-and-equitably\/\"><span style=\"font-weight: 400\">an\u00e1lise<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> sobre suas avalia\u00e7\u00f5es em termos de equidade de sal\u00e1rios entre homens e mulheres dentro da corpora\u00e7\u00e3o. Segundo a an\u00e1lise, esse estudo seria o primeiro passo para evitar discrep\u00e2ncias salariais e garantir equidade de remunera\u00e7\u00e3o, e como exemplo de transpar\u00eancia, o pr\u00f3prio Google cita o caso de uma categoria de engenheiros de software, em que os homens recebiam menos do que as mulheres. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Contudo, para quem n\u00e3o acompanhou o acontecimento, a iniciativa aconteceu seis meses ap\u00f3s um grupo de funcion\u00e1rias e ex-funcion\u00e1rias da Google terem movido um processo na Justi\u00e7a da Calif\u00f3rnia contra a corpora\u00e7\u00e3o, denunciando a desigualdade na remunera\u00e7\u00e3o entre g\u00eaneros. E ainda que o blog mostre sinais de mudan\u00e7a na pol\u00edtica de remunera\u00e7\u00e3o, o evento chamou a aten\u00e7\u00e3o para mais um detalhe: apenas 30% dos funcion\u00e1rios no Google s\u00e3o mulheres. Segue ent\u00e3o uma pergunta que vale a pena ser colocada, ainda em 2019, hoje e todos os dias a seguir ao dia internacional da mulher, no Brasil como fora: por que \u00e9 importante falarmos de igualdade salarial e trabalho justo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Trabalho, atividade especializada, profiss\u00e3o: independentemente do recorte de mercado e de tamanho, a vis\u00e3o contempor\u00e2nea de empreendimento consolida a exist\u00eancia de uma empresa na presen\u00e7a de dois elementos: o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">core<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, no qual reside sua estrat\u00e9gia, sua <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">raison d\u2019\u00eatre,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> seus valores, e por um conjunto de atividades mais perimetrais, operacionais, que entregam sua estrat\u00e9gia na ponta. Ainda que hoje, teorias de complexidade, vis\u00e3o sist\u00eamica e novas formas de conceber empreendimentos incluam vis\u00f5es holocr\u00e1ticas e rizom\u00e1ticas, que colocam em cheque o dualismo \u201cestrat\u00e9gia\/opera\u00e7\u00e3o\u201d, devido \u00e0 falta de acesso ou nega\u00e7\u00e3o \u00e0 instru\u00e7\u00e3o,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">historicamente a mulher n\u00e3o tem tido acesso ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">core<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, apenas \u00e0s opera\u00e7\u00f5es perimetrais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Restringir o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o feminina n\u00e3o resultou apenas na falta de instru\u00e7\u00e3o sobre disciplinas necess\u00e1rias para deixar de trabalhar na opera\u00e7\u00e3o, mas, sobretudo, no impedimento de poder exercitar pensamento cr\u00edtico em campos cient\u00edficos e t\u00e9cnicos e desenvolver a pr\u00e1tica de lideran\u00e7a e de empres\u00e1ria. A falta de espa\u00e7o e oportunidade para dirigir um empreendimento, participar de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas e, consequentemente, projetar uma imagem de realiza\u00e7\u00e3o profissional tem como consequ\u00eancias, ainda muito atual, falta de confian\u00e7a e empoderamento. N\u00e3o \u00e0 toa, s\u00e3o pouqu\u00edssimas as refer\u00eancias de sucesso da lideran\u00e7a feminina em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 abund\u00e2ncia de homens corriqueiramente inseridos no mercado em pap\u00e9is de lideran\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se olharmos pelo aspecto mais operacional, essa mesma incredulidade sobre empoderamento feminino deixa a mulher estagnada em um patamar operacional, sendo ela incapaz de melhorar sua posi\u00e7\u00e3o e evoluir podendo atuar com maiores responsabilidades. Dessa forma, a repeti\u00e7\u00e3o de tarefa tem sido, infelizmente muitas vezes, a \u00fanica express\u00e3o profissional da mulher.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O meu trabalho como profissional mulher come\u00e7ou recentemente, em meados de 2014, quando me tornei l\u00edder de inova\u00e7\u00e3o, alocada numa grande empresa de seguros do Brasil. Foi nesse per\u00edodo de coordena\u00e7\u00e3o da frente de Governan\u00e7a Corporativa de Inova\u00e7\u00e3o da Holding do grupo que comecei a me perceber nesse meu novo espa\u00e7o e a notar que crescia o interesse de outras mulheres na minha atua\u00e7\u00e3o, com frequentes perguntas do tipo &#8220;como voc\u00ea faz isso?&#8221;. As refer\u00eancias cotidianas, como acontece na maioria das empresas, eram apenas masculinas ou masculinizadas, machistas e em alguns casos mis\u00f3ginas. Pouqu\u00edssimas diretoras (na \u00e9poca apenas duas) e muit\u00edssimas reuni\u00f5es com gerentes, superintendentes e at\u00e9 diretores homem &#8220;interpretando&#8221; com suas palavras a fala das poucas mulheres presentes nos Comit\u00eas com o board (isso vai do mansplaining at\u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o do projeto &#8211; bropriating, dos resultados ou a reprova\u00e7\u00e3o p\u00fablica de uma ideia).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com essa percep\u00e7\u00e3o, mais tarde, em 2016, na \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o de uma empresa de energia, me deparei com um outro cen\u00e1rio: mais diretoras, uma mulher como presidente, maior abertura nos Comit\u00eas (apesar de novamente ter acontecido de ser a \u00fanica mulher presente em alguns encontros), uma \u00e1rea maior para \u201celas\u201d no departamento comercial, atendimento, RH, comunica\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">core<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, muito menos na tecnologia. Esse foi para mim o ano da mudan\u00e7a, o ano em que comecei a refletir sobre modelos femininos de lideran\u00e7a. Foi quando entendi que precisaria me empoderar e empoderar minhas amigas, colegas e outras mulheres por meio desta constru\u00e7\u00e3o de representatividade e autoconhecimento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Inspirar mulheres a se tornarem l\u00edderes de suas vidas \u00e9 um dos motivos que me faz subir ao palco. Defender esse lugar de fala para a cria\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia e vis\u00e3o sist\u00eamica tem sido o gatilho para ajudar meninas adolescentes a se sentirem representadas na sua constru\u00e7\u00e3o de futuro. Representatividade (l\u00edderes inspiracionais, refer\u00eancias para olhar, admirar, se rever) \u00e9 apenas o primeiro passo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O segundo passo compreende conscientiza\u00e7\u00e3o e autoconhecimento. N\u00e3o podemos esquecer a necessidade de acolhimento e a pr\u00e1tica da autoconfian\u00e7a em uma sociedade onde as mulheres raramente acessaram esse exerc\u00edcio. Ou seja \u00e9 preciso ter e praticar um olhar novo, de mudan\u00e7a, para que as mulheres possam trilhar seu caminho profissional, desenvolver seu estilo de lideran\u00e7a e seu lugar de fala. Por esta raz\u00e3o surgiu a ideia do Change as a Mindset, um curso de mulheres para mulheres com objetivo de utilizar a mudan\u00e7a como chave de leitura para nos tornarmos mulheres (n\u00e3o apenas profissionais) completas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O curso foi inicialmente pensado para mulheres desempregadas que buscam recoloca\u00e7\u00e3o, que deixaram o mercado de trabalho pela obriga\u00e7\u00e3o social para serem m\u00e3es e pela obriga\u00e7\u00e3o corporativista de fazer uma escolha entre carreira e fam\u00edlia. Mulheres que hoje, sem filhos para cuidar, e \u00e0s vezes digitalmente exclu\u00eddas, est\u00e3o engrossando as estat\u00edsticas de desemprego no Brasil. Uma parcela do mercado que \u00e9 esquecida, ignorada, com sua hist\u00f3ria n\u00e3o contada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre as professoras do curso, encontram-se grande colegas e profissionais que marcaram minha trajet\u00f3ria pessoal e profissional no Brasil: Alexandra Favero (refer\u00eancia em Identidade), Marcia Asano (Data Strategy and Open Innovation), <a href=\"https:\/\/kyvo.global\/br\/insights\/antropologia-a-servico-da-inovacao\">Carol Zatorre (Antropologia)<\/a>, Patricia Byington (Sustentabilidade e Impacto Social), Estela Rocha (Lideran\u00e7a), Luciana Hashiba (Pensamento Maker), Bella Neves (Gest\u00e3o de Mudan\u00e7a em Momentos Turbulentos) e Carla Link (Cidades do Futuro). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com elas, participo tamb\u00e9m do Grupo de Mulheres que atuam em Design e Inova\u00e7\u00e3o, para organizar a\u00e7\u00f5es concretas que estimulem consequ\u00eancias reais no nosso meio de trabalho. Ao todo, em seis meses de ativa\u00e7\u00e3o, organizamos tr\u00eas encontros presenciais, seis grupos de trabalho auto geridos e estimulamos a troca de ideias sobre temas &#8220;tabu para mulheres&#8221;: dinheiro, negocia\u00e7\u00e3o, carreira, compara\u00e7\u00e3o com profissionais homens, ass\u00e9dio e machismo nas empresas. Somos mais de 250 mulheres e todas est\u00e3o inseridas no mercado de trabalho ou em mudan\u00e7a de carreira dentro das \u00e1reas de inova\u00e7\u00e3o e design. A ideia foi da Carla Link e vem movimentando projetos muito interessantes, entre os quais a organiza\u00e7\u00e3o do Global Service Design Jam, que acontecer\u00e1 no Instituto Europeo de Design, onde ensino nas P\u00f3s de Design Estrat\u00e9gico e Service Design.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O esp\u00edrito de participar dessas a\u00e7\u00f5es nasce n\u00e3o s\u00f3 por demandar igualdade de condi\u00e7\u00f5es salariais, mas tamb\u00e9m para construirmos trabalhos mais justos, empoderarmos mulheres e mulheres queer e trans, termos discuss\u00f5es sobre livre sexualidade, consci\u00eancia de classe e pertencimento social, sempre usando o conceito de mudan\u00e7a como alicerce para repensar o nosso papel de mulheres na sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em breve, esperamos que o levantamento do Google mostre n\u00e3o apenas equidade salarial, mas equidade de g\u00eanero na forma\u00e7\u00e3o de seus times. Ainda assim segue a reflex\u00e3o: se n\u00e3o tivermos sensibilidade e exerc\u00edcio para falarmos desses temas, como iremos parametrizar o algoritmo que analisa a equidade salariais, de g\u00eanero e de classe, no nosso dia a dia?<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">*Clara Bidorini \u00e9 head de corporate venture na Kyvo Design-Driven Innovation, cofounder do Programa_Namoa, participa da Rede de Mulheres atuando em Design e Inova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/i><\/p>\n<p>**Artigo publicado no <a href=\"https:\/\/www.proxxima.com.br\/home\/proxxima\/how-to\/2019\/03\/09\/mulheres-na-lideranca-change-as-a-mindset.html\">Proxxima<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Restringir o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o feminina n\u00e3o resultou apenas na falta de instru\u00e7\u00e3o sobre disciplinas necess\u00e1rias para deixar de trabalhar na opera\u00e7\u00e3o, mas, sobretudo, no impedimento de poder exercitar pensamento cr\u00edtico em campo cientifico e t\u00e9cnico e desenvolver a pr\u00e1tica de lideran\u00e7a e de empres\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":31740,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[111],"tags":[148,149,25,26,150],"class_list":["post-31736","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-insights","tag-8m","tag-change-as-a-mindset","tag-inovacao","tag-kyvo","tag-mulheres-na-lideranca","cat-111-id"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31736"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31736\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31739,"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31736\/revisions\/31739"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/kyvo.global\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}